Um sonho. Um projeto de vida

Itália, final do século XIX, a unificação do estado italiano e a industrialização do país causou uma crise na área da agricultura, a qual incentivou a migração de muitos italianos para o Brasil. Com pouca bagagem, mas carregando sua enorme paixão pelo vinho, a família Bianco instalou-se em uma das colônias de Caxias do Sul/RS.

Guerino Bianco, avô de Saul Bianco – fundador da Vinícola – acompanhou seus pais originários da cidade de Vicenza, Veneto, na grande corrente migratória para o Brasil, onde manteve viva as tradições italianas, sendo uma delas a produção de vinho. Com sua habilidade de trabalhar com madeira, iniciou a produção de pipas e barricas para armazenagem do vinho e que depois, tornou-se uma das mais importante no mercado de recipientes para vinhos da Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul.

A forte ligação da família com a vitivinicultura, levou Saul Bianco a estudar agronomia, com o objetivo de montar sua cantina. Entretanto, antes mesmo de formado, foi convidado a trabalhar em uma grande multinacional onde atuou por 32 anos. Quando aposentado, decidiu retomar o velho e grande sonho de produzir vinhos. Morou um ano na Itália, juntamente com a esposa Alcinita, onde estudou enologia no Centro Regional para a Viticultura e Enologia, em Conegliano Veneto (Treviso).

Há muitos anos morando em Florianópolis e com a recente descoberta das excepcionais condições para a produção de uvas viníferas na Serra Catarinense, foi natural a escolha da região para a implantação dos vinhedos e cantina.

Guerino Bianco (28 anos) – Caxias do Sul/RS

Guerino Bianco (70 anos) com os filhos Domenico, Giovani e Hygidio (sentado).

Raízes italianas

A escolha do nome – Leone di Venezia – (o símbolo de Veneza, capital do Veneto), está ligada a origem e história da família Bianco e da estada do fundador da vinícola, no Veneto.

Instalada em uma área de 15 hectares no município de São Joaquim/SC, numa altitude média de 1280 metros, a Vinícola está integrada a paisagem do Morro Agudo e Vale do Rio Antonina. Em 2008 iniciaram os trabalhos de infraestrutura e o plantio das primeiras parreiras.

Os vinhedos somam cinco hectares, plantados com variedades italianas. A condução é em espaldeira com proteção lateral de telas anti granizo, mas que protegem também do ataque de insetos e pássaros. São utilizandas as mais modernas práticas agrícolas com a preocupação permanente da preservação do meio ambiente.

Assim, nasce em São Joaquim, mais uma inovadora vinícola.

A vinícola foi concebida para a produção de vinhos de alta qualidade, pequenos volumes, buscando o estilo italiano, no resgate das origens da família. Foi planejada para utilização inteligente das condições climáticas da região e a elaboração de produtos diferenciados, que maximizem as peculiaridades de cada variedade italiana, dentro das excelentes condições deste particular terroir de altitude.

Integram a obra, um receptivo com áreas de degustação, um pequeno restaurante que opera em alguns finais de semana e quatro suítes para hospedagem, abertas em ocasiões especiais, como em época da Vindima.

Arquitetura

A arquitetura da vinícola foi inspirada no palácio italiano Villa di Maser (1564 – Treviso/Veneto), uma obra prima de Andrea Paládio, arquiteto vicentino, que imprimiu com sua genialidade o estilo construtivo que marca até hoje a arquitetura da Itália.

 

Andrea Palladio.

Concepção arquitetônica da vinícola.

 

Homenagem

Ao meu avô, Guerino Bianco (1910 Vicenza/Veneto – 1959 Caxias do Sul/RS), vitivinicultor, criativo artesão da madeira e hábil tanoeiro, que transmitiu a arte aos seus filhos, Domenico, Giovani e Hygidio (meu pai), que produziram por mais de 70 anos, as melhores pipas e barricas, para armazenar os seus vinhos e aqueles produzidos por toda a colônia italiana do Rio Grande do Sul.

Saul Bianco